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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

TELÊMACO – ROMA – ANO 391 DC

Telêmaco não gostava da agitação da cidade grande, mas estava decidido a ir para Roma, pois tinha ouvido claramente a voz de Deus dizendo-lhe que seguisse de imediato para a capital do Império.

Assim que chegou ali, viu-se no meio de uma enorme multidão dirigindo-se para o mesmo lugar, como se todos houvessem combinado um encontro. Em alguns minutos, estava entrando no Coliseu junto com a multidão agitada que celebrava a volta dos combates entre gladiadores.

Setenta anos atrás, Constantino havia proibido a morte de cristãos no Coliseu e também banido às lutas de gladiadores. Todavia Honório, o novo Imperador, cedera aos pedidos do povo e permitira novamente que gladiadores lutassem até a morte.

Telêmaco assentou-se entre as oitenta mil pessoas que lotavam o estádio e constatou, para seu espanto, que já havia gladiadores enfileirados no centro da arena apenas aguardando o sinal para começarem a lutar. O idoso Telêmaco, cristão devoto e amoroso, simplesmente não conseguia acreditar no que via: jovens gladiadores lutando ferozmente na arena enquanto a multidão enlouquecida gritava de satisfação.

De repente, um dos gladiadores ficou preso na rede de seu oponente e caiu ao chão, imobilizado. De pé, a multidão de milhares pedia sua execução, pois estavam sedentos por sangue, já que há setenta anos não se via um gladiador morrer no Coliseu para entretenimento do povo.

Os oficiais desceram à arena, verificaram a situação e concordaram com o povo, sinalizando com o polegar voltado para baixo. Imediatamente o gladiador de pé cravou seu tridente no peito do oponente caído, cujo grito nem pôde ser ouvido, abafado pelo clamor da multidão satisfeita.

O morto foi arrastado para fora da arena deixando um rastro de sangue, mas ninguém prestou atenção. Outros gladiadores já estavam em posição de ataque, prontos para começar outro embate.

Naquele instante, Telêmaco entendeu por que Deus o mandara a Roma Apesar de idoso, desceu pela parede que delimitava a arena e correu até o centro do Coliseu, diante de toda a multidão. Ele colocou as mãos no peito de ambos os gladiadores e gritou: "Em nome de Cristo, parem! Não desprezem a misericórdia de Deus atacando uns aos outros com a espada"!

A multidão ficou silenciosa por alguns instantes, mas logo alguém gritou: "Aqui não é lugar para pregação!". E mais outra pessoa disse: "Os antigos costumes de Roma têm de ser restabelecidos!" Então todos exigiram que o velho Telêmaco se afastasse e a luta continuasse.

Um dos gladiadores o acertou no estômago com o cabo da espada, jogando-o ao chão. Quando os lutadores iam recomeçar o combate, Telêmaco levantou-se rapidamente e outra vez se colocou entre eles, empurrando-os e dizendo: "Em nome de Cristo, parem"!

A multidão enraivecida começou a gritar: "Matem o velho! Acabem com ele! Tirem-no daí", e jogavam contra Telêmaco tudo o que tinham nas mãos, principalmente pedras e paus.

Um dos gladiadores, estimulado pelos gritos no Coliseu, cravou a espada no estômago de Têmaco, atravessando-lhe o corpo. Imediatamente, as oitenta mil pessoas fizeram um silêncio ensurdecedor. Telêmaco caiu de joelhos e o sangue rapidamente formou uma grande poça vermelha ao seu redor. Em seu último fôlego, ele gritou novamente: "Em nome de Jesus, parem!" Então caiu sobre o rosto e faleceu.

Não se ouviu mais nem uma palavra sequer. Por instantes, ninguém se moveu, até que um homem da multidão se levantou e saiu. Logo outro homem e sua mulher deixaram o Coliseu. E mais outros. Vagarosamente, a multidão se levantou e foi embora. O silêncio de todos revelava a dor e a culpa que sentiam. A partir daquele dia, nunca mais houve lutas de gladiadores no Coliseu.

É interessante notar que Telêmaco não entrou no Coliseu para impedir a matança de cristãos, mas para dar fim a um costume local que feria a moral e violava o direito à vida. Muitos cristãos, boje, evitam envolver-se em ações sociais alegando que isso é de responsabilidade somente dos sindicatos, das ONGs, da policia ou do próprio Estado. Isso está errado.

A violência, o desemprego, o aborto, a corrupção no governo, os maus tratos às crianças, a violência no lar, o estupro, a disseminação das drogas, a eutanásia, os impostos abusivos, a pobreza e tantas outras pragas modernas têm de ser combatidas da mesma maneira que a feitiçaria, a idolatria, a incredulidade e a mentira.

Jesus Freaks tem nojo do pecado, seja qual for a forma em que este se apresentar. Mas eles vão além, combatendo o mal com ações práticas.


Leia: Loucos por Jesus - Volume 1. Lúcio Barreto Jr.

4 comentários:

Robson Lelles disse...

Dou graças a DEUS por este seu post, pastor.
Que o Altíssimo prossiga abençoando o seu ministério!

Em Cristo,
Robson Lelles

NO CAMINHO disse...

Sempre que virmos alguém envolvido em questões sociais sejam de que cunho for, este será um cristão independente do credo que professe, porque DEUS não acaba como todos os malfeitores, vistos a nossos olhos? Teria acabado com Paulo, alguèm que fez tanto pelo evangelho escrevendo quase a metade do novo testamento, somos cristâos ou não apartir de nossas atitudes. Excelente seu post, chama-nos a responsabilidade que nos foi outorgada um dia. Deus o abençoe, graça e paz.

Pb. Valdinei disse...

a paz do Senhor, que Deus continue te fortalecendo para que sempre sejas fiel, mas por que hoje os cristãos não se envolvem com esta questões sociais, por que estão corrompidos por alianças politicas e não podem combater o que apoiam com seu voto.
abçs.
Valdinei

wsbarreto disse...

Linda história. Gostei muito de ler. Inspiradora!